Revista Digital da Sentient Pixel

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Anotar ideias no bloco de notas do celular e depois esquecer o que elas querem dizer é muito clichê. As minhas: “Black bloc protesto violência”, “Às vezes, penso que meu cérebro é composto por pedaços espalhados!”, “Pijama esmalte lenço”. Talvez a última seja uma lista de compras inacabada.

Dá raiva não lembrar e não ter dado cabo aos diversos projetos que um dia foram tão geniais. A verdade é que criar exige uma dose de disciplina e insistência. Chega uma hora que a gente precisa mandar a musa calar a boca e persistir sem depender cegamente da inspiração.

Não estou falando que exige desencantamento de mundo. A poesia sempre encontra brechas para desaguar no nosso consciente criativo. Para ajudar nessa jornada idilicamente técnica de autoconhecimento, separei quatro dicas para nós destravarmos nossos potenciais criativos.

1.       Crie restrições.

O senso comum liga a ideia de criação à noção de liberdade e caos. Acredito que cada processo é particular a quem lhe compõe, mas que as restrições são oportunidades para desafiarmos a criatividade. Criar dentro de limites nos obriga a sermos mais criativos.

Para exercitar essa qualidade, você pode estipular um tempo específico para desenvolver seu texto, proibir o uso de advérbios, escrever como se fosse uma criança de cinco anos, entre diversas outras possibilidades. Depende do que o seu projeto propõe.

Te desafio a encontrar a letra “E”.

Você pode ir ainda mais longe e fazer como o Georges Perec, que escreveu um romance (O Sumiço) de 300 páginas sem a letra “e”. Nota-se que é a letra mais abundante na língua francesa. O francês era integrante do Oulipo, grupo de artistas que acreditavam nas restrições como um estímulo à criação literária. Vale a pena tirar um momento para ler sobre o movimento também.

2.       Brinque com a forma.

Talvez seu propósito não seja descobrir uma história inovadora para contar, mas revelar uma história, muitas vezes repetida, de maneira inovadora.

     Quando penso em brincar com a forma, instantaneamente lembro do livro Múltipla Escolha, de Alejandro Zambra. O autor faz uma crítica ao sistema educacional do Chile e aos ecos do regime militar de Pinochet utilizando uma estrutura de prova de vestibular.

Essa é só a primeira página!

Os capítulos do livro são organizados em exercícios de múltipla escolha e interpretação de texto.

Fica aí a inspiração 😊

3.       Crie um caderno de processo.

Chega de perder as suas ideias. Se você nunca teve um caderno para anotar todos os seus devaneios, é uma ótima hora para começar.

Já que estamos presos em casa, podemos reservar um momento para uma imersão. Vamos encontrar aquelas revistas empoeiradas e fazer uma colagem. Que tal? Momentos de criatividade “descompromissada” fazem bem ao coração. É o que acredito.

Para falar de referências, o livro Zaralha – Abri minha pasta, da Letrux, tem muita cara de caderno de processo, misturando poesia, colagens e recortes da infância. Dá uma olhada:

         Sobre mim: tenho três espaços e meio de processo. Um caderno para pensamentos íntimos, outro para ideias mirabolantes. Um blog com conteúdo útil e um Medium (o tal do meio) que logo estará cheio de inutilidades – julguei mesmo. Os dois serão o meu processo-ordem e o meu processo-desordem, respectivamente.

4.       Na dúvida, posta.

Também tenho medo de expor os meus projetos. Estou aprendendo que colocar para fora e conversar com outras pessoas é o melhor caminho para fazer as ideias circularem. Há alguns dias, vi esse post do Tira do Papel no Instagram:

Muito fofo!

Quando fico nervosa antes de publicar um texto, tento pensar em qual é o pior cenário possível. Nunca consigo imaginar um futuro verossímil, não vale a pena criar mais uma nóia em um mundo que já transborda de crise.

Já que está tudo entendido entre nós, vou só relembrar: Crie restrições, brinque com a forma, crie um caderno de processo, poste e se divirta um pouquinho 💜

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