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Quando estava no primeiro ano do Ensino Médio, em 2015, tive a sorte de estudar em um colégio extremamente próximo da Biblioteca Municipal. Aproveitei para cumprir minha meta de ler 40 livros naquele ano.

No começo, eu pedia para a bibliotecária pelos livros que outras pessoas da minha idade estavam lendo – segundo as páginas de livrarias que eu seguia. Como a trilogia “Jogos Vorazes”, a saga “Harry Potter” e livros do John Green.

Chegou um momento que eu já havia lido todos os livros das páginas que eu seguia nas redes sociais, só que ainda não havia completado a minha meta.

Naquela hora, decidi me aventurar e experimentar uma literatura sem qualquer recomendação na prateleira de exposição de livros ao lado da recepção. 

Após folhear alguns volumes, encarei uma capa que não era nem um pouco atrativa para mim, pois nunca gostei de capas com a foto de alguém.

 Foi aí que o título “Quando Nietzsche Chorou” me chamou a atenção, porque naquela época era apaixonada por filosofia. Não só isso, mas também já estava completamente decidida a cursar psicologia por conta das ideias freudianas.Quando li no resumo “realidade e ficção se misturam”, sabia que precisava conhecer aquela obra.

Resenha do livro:

A história é iniciada em Viena, por volta de 1880, quando o Dr. Josef Breuer recebe uma carta pouco formal de uma senhorita desconhecida, mas que assinou a carta pelo nome “Lou Salomé”.

No recado havia um pedido para se encontrarem com urgência numa cafeteria, pois a filosofia alemã estava em risco. Embora, Dr. Breuer tenha achado o recado um tanto impertinente foi a esse encontro misterioso.

Foi onde encontrou a jovem de 21 anos, de beleza fascinante, mente instigante e um comportamento audacioso demais para a sua época. Enfeitiçado com tais encantos o médico não encontrou formas de recusar mais um pedido nada convencional da jovem: tratar do desespero do seu amigo e filósofo Nietzsche sem que o mesmo soubesse.

Lou Salomé, para contribuir com o plano, usa de sua de rede de contatos para que o professor Nietzsche viaje até Viena para ser atendido pelo médico para tratar dos seus graves problemas de saúde os quais Dr. Breuer julga serem causados por distúrbios psicológicos.

Após tentativas falhas desse profissional de fazer seu paciente se abrir, ele usa uma estratégia extremamente fora do comum:

Propõe internação de Nietzsche em seu hospital com atendimento de sua equipe em troca de ter um “tratamento filosófico para o próprio desespero” com intuito secreto de fazer o professor revelar seus problemas psicológicos e poder ajudá-lo.

Embora o papel de paciente no tratamento filosófico de Dr. Breuer seja forjado, seus relatos são problemas pessoais reais para o tratamento parecer o mais realista possível.

Contudo, chega um determinado momento em que o doutor assume de fato o papel de paciente em busca da cura das suas perturbações psicológicas e Nietzsche, em contrapartida, usa sua filosofia manifestada nas suas principais obras.

É impossível não se identificar ou ao menos compadecer-se com as personagens da narrativa. Seja com Breur com a sua culpa pelos seus pensamentos indesejáveis e seu o medo de envelhecer e da morte, seja com a desconfiança de Nietzsche após ter vivenciado uma traição e ter o seu coração partido. 

E, especialmente para mim, o fascínio de ambos os personagens por Lou Salomé. Eu diria que a personagem seria considerada evoluída até mesmo nos dias atuais pela sua autoconfiança incomum nas mulheres e seus questionamentos sobre as relações sociais.

É claro que a sua ética é discutível porque a narrativa origina-se da sua manipulação dos dois protagonistas para, como tudo indica, livrar-se da culpa de ter destruído o coração de um homem ao modo dele chegar a expressar desejos suicidas.

Por outro lado, foi também por causa dela o auge da conexão entre os personagens e do leitor com os mesmos no desfecho da história no alívio das dores profundas desses dois homens e nas lágrimas de Nietzsche.

Conclusão:

Apesar de ser uma obra ficcional, Irvin D. Yalom trata de grandes conhecimentos filosóficos e alguns fatores que o influenciaram as ideias freudianas de maneira envolvente, independente dos interesses de quem esteja lendo, é acendido um encanto curioso e reflexivo sobre essas áreas.

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